sábado, 30 de março de 2013

Torcedor e a Arte da Volubilidade

     
       
        Nesta quinta o Brasil presenciou nas arquibancadas da Vila Belmiro, em Santos, mais uma demonstração de como as torcidas locais estão sujeitas apenas ao momento e esquecem o que certos jogadores fizeram a não muito tempo atrás. Claro que estou falando das vaias destinadas a Neymar no jogo do Santos contra o Mogi Mirim válido pelo campeonato Paulista.
        Isso mostra o quanto os torcedores brasileiros mudam sua opinião de uma hora para outra sem motivo aparente. É verdade que o nível de atuação de Neymar caiu nos últimos jogos, mas será motivo para vaiar o garoto? Claro que não. É bom lembrar que ele jogou na segunda feira em Londres e teve a viagem de volta para o Brasil isso tudo desgasta o atleta, ele é humano e não o um super herói. Ele é jovem e tem vontade de estar em todos os jogos, mas também deveria ter a consciência de que precisa de descanso e que toda essa sua maratona esportiva uma hora vai pesar e ele vai sentir. Se é que não é isso que já está acontecendo.
        Agora a torcida santista deveria apoiá-lo nessa luta. Ele é um jogador diferenciado que optou por jogar aqui no Brasil tendo um mercado imenso na Europa, é verdade que é muito bem recompensado por isso, mas deveria ser reconhecido por isso. E os títulos que ele deu pro Santos sumiram da memória do torcedor? Não é que como a maioria dos brasileiros tem memória curta. É só pegar como exemplo algo fora do futebol, ou alguém ainda se lembra de Renan Calheiros? Não, agora o foco da vez é Marco Feliciano e todos se esquecem de quem é o presidente do senado. O vício chato esse do brasileiro de só ter espaço na cabeça para um assunto!
        Voltando ao futebol, quando Neymar resolver sair ai as coisas com a torcida vão mudar, vão começar a chamar o cara de mercenário, jogar moedas nele, xingar, dizer que ele não ama o clube e todas essas bobagens costumeiras. Valorize seu jogador, saiba que se ele sair seu time não será mais o mesmo e pense: ele é apenas um garoto, não há necessidade dessa pressão toda, ele tem muito a evoluir e nem Messi consegue jogar 100% todas as partidas. Não sou advogado de Neymar (mas se ele me pagar defendo ele fácil) só acho que um erro está sendo cometido e ele não é a primeira e nem será a última vítima. Lembrem de Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho e outros mais que passaram e passarão por essa situação. Vamos evitá-la e valorizar mais nossos jogadores.  
     

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sejamos realistas, o Brasil parou nos anos 70



           É bem verdade que em 21 de junho de 1970 eu não tinha nem pensado em nascer, mas graças à tecnologia da época e as que se seguiram, pude assistir aquele jogo que marcou época e que fez o mundo respeitar e admirar o futebol brasileiro. Essa seleção foi a última que encantou e venceu uma copa para o Brasil (as de 1982 e 1986 encantaram, mas não ganharam) e o povo vem sentindo saudade desse tempo. O que será que mudou desde então?
Uma questão até fácil de responder: o futebol evoluiu e o Brasil não. Desde 70 a última vez que vimos algo novo por aqui foi com Têle Santana na década de 80 e começo de 90. Um futebol vistoso com toque de bola e muita movimentação, uma pena que não foi vitorioso em copas. Mas depois disso o que se vê é um futebol pragmático e resumido em jogadas individuais, o que funcionou em 94 e 2002 não funciona hoje. Pense bem e me responda com sinceridade: Que jogo nessas duas copas o Brasil jogou solto, vivo, com toque de bola com ofensividade, movimentação? NENHUM. Foram copas vencidas no talento de duplas Romário e Bebeto em 94, Ronaldo e Rivaldo em 2002 e na força dos sistemas defensivos. Nada mais do que isso.
Vendo o futebol de hoje, 10 anos após o penta, dá a sensação de que o futebol brasileiro parou no tempo. Nossos treinadores estão presos no marasmo e nem se preocupam em mudar, em se reciclar. Quando assisto a um jogo de algum campeonato europeu, seja Italiano, Inglês, Alemão ou Espanhol é espantosa a diferença de estilo de jogo e assistindo as seleções europeias é que a tristeza bate na porta. Como é intenso o jogo deles e como estão ligados a tática sem esquecer-se do talento e da improvisação. É fantástico ver que escolas clássicas de futebol como a alemã e a italiana se renderam ao futebol moderno de ocupação de espaços, saída rápida com a bola e movimentações constantes no ataque sem perder a sua essência.
O Brasil precisa repensar o seu futebol, desde os comandos dos cartolas até a mentalidade de seus jogadores. É impensado hoje uma seleção de ponta ter tantos jogadores que não auxiliam na marcação. No Brasil isso é tão comum às estrelas são tratadas como intocáveis e jogadores que não podem se cansar porque devem decidir o jogo quando aparecer uma chance. Isso é piada! Quem não marca na Espanha? E na Alemanha? Digam-me! Qual seleção de ponta joga com um jogador parado e sem mobilidade no ataque? Acho que é difícil de encontrar. Um cara como Fred tem um ótimo poder de finalização, mas participa pouquíssimo do jogo hoje isso é quase inexistente, as seleções têm seus atacantes pesadões, só que eles não são as primeiras opções (Klose, Torres, Loco Abreu, Milito, Huntellar...) eles são alternativas para situações de jogo.
Alguns pensamentos só vão ser superados com o tempo e com a dor das derrotas. Espero que o Brasil não ganhe essa copa de 2014, não por ser ante patriota ou qualquer coisa desse tipo. Não, é para ver se o futebol muda e se as pessoas acordam para a realidade e comecem a enxergar que o futebol não se resume apenas a talento, é muito mais do que isso, é tática, é marcação, é preparo físico, é tudo junto e misturado.